Pesquisa estimulada vs espontânea
O mesmo candidato pode aparecer com 45% numa pesquisa e 12% em outra publicadas na mesma semana, pelo mesmo instituto, com a mesma amostra. A culpa não é nem do instituto nem do candidato — é da pergunta. Pesquisa estimulada e espontânea medem coisas diferentes, e entender essa diferença evita interpretações desastrosas.
A diferença na prática
Estimulada
O entrevistador mostra um cartão com a lista de candidatos (ou lê em voz alta) antes da pergunta. O entrevistado escolhe entre os nomes apresentados.
"Vou ler nomes de possíveis candidatos. Em qual deles o(a) sr(a) votaria?"
Espontânea
Nenhuma lista é mostrada. O entrevistado diz o nome de quem lembra espontaneamente, sem qualquer ajuda visual ou auditiva do entrevistador.
"Se a eleição fosse hoje, em quem o(a) sr(a) votaria pra presidente?"
Por que os números são tão diferentes
Na espontânea, o eleitor precisa recuperar o nome da memória. Quem tem mais notoriedade midiática (Lula, Bolsonaro) sai bem; candidatos com capital de imagem pequeno simplesmente são esquecidos. Tarcísio, Caiado, Zema tendem a ter votos consistentes na estimulada mas somem na espontânea — não porque o eleitor não os apoia, mas porque não lembra deles na hora da pergunta.
Na estimulada, com a lista à frente, o eleitor faz uma escolha entre as opções apresentadas. O resultado se aproxima mais da urna, onde o eleitor também vê os nomes ou números dos candidatos no painel.
Exemplo ilustrativo (pesquisa típica)
| Candidato | Estimulada | Espontânea | Diferença |
|---|---|---|---|
| Lula | 39% | 35% | −4pp |
| Flávio Bolsonaro | 36% | 28% | −8pp |
| Caiado | 4% | 1% | −3pp |
| Indecisos/Brancos | 11% | 28% | +17pp |
Note como os indecisos quase triplicam na espontânea — sem a lista, mais gente diz "não sei" ou "branco". O peso de cada candidato sobre os votos válidos não muda tanto, mas a base muda muito.
Quando cada uma é útil
Estimulada
Estima melhor o resultado provável da urna em eleição próxima. Os institutos usam estimulada como referência principal nas pesquisas finais (D−7) e nas projeções de 2º turno.
Espontânea
Mede saliência política— quanto da população lembra do nome. Útil pra detectar candidatos com baixa notoriedade que precisam investir em exposição midiática. Também é mais resistente ao "voto útil" — mostra preferência original sem influência da lista.
Como evitar erros de leitura
- Sempre verifique qual tipo de pesquisa está sendo apresentado. A maioria dos releases dos institutos publica ambas — e algumas reportagens mesclam números de uma e de outra sem aviso.
- Não compare estimulada de um instituto com espontânea de outro. Os números não são comparáveis. O ElectioLab agrega apenas pesquisas estimuladas ao calcular a média ponderada — espontâneas servem como sinal complementar.
- "Tendência de crescimento" precisa ser do mesmo tipo. Candidato que subiu de 4% (espontânea, semana 1) para 8% (estimulada, semana 2) não cresceu — apenas a pergunta mudou.
- Cuidado com manchetes "sem o nome de Lula, X lidera". Em pesquisa espontânea isso é trivial (basta Lula não ser lembrado por alguns). O cenário hipotético precisa ser estimulado pra ter significado.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre pesquisa estimulada e espontânea?▾
Por que candidatos pouco conhecidos somem na pesquisa espontânea?▾
Qual pesquisa é mais 'correta', estimulada ou espontânea?▾
Brancos, nulos e indecisos aparecem nas duas?▾
Voto útil aparece na pesquisa?▾
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