Margem de erro em pesquisa eleitoral
Toda pesquisa eleitoral séria publica um número discreto no rodapé: "margem de erro de ±3 pontos percentuais". Esse número é mais importante que o resultado da pesquisa — é o que separa interpretação séria de chute. Aqui explicamos o que ele significa e como ler corretamente.
O conceito em uma frase
Margem de erro é quanto o número publicado pode estar acima ou abaixo do valor real, com nível de confiança de 95% — ou seja, em 95 a cada 100 pesquisas similares feitas com amostras diferentes, o resultado ficaria nessa faixa.
Exemplo prático
Datafolha publica: Lula 39% · Flávio 36% · margem ±3pp.
Tradução: o Lula real está entre 36% e 42%; o Flávio real está entre 33% e 39%. Os intervalos se sobrepõem (entre 36% e 39%), então esse cenário é empate técnicomesmo a manchete dizendo "Lula lidera por 3 pontos".
Por que pesquisa A tem margem ±2pp e B tem ±4pp
A margem de erro depende do tamanho da amostra. Quanto mais entrevistados, menor a margem — mas com retorno decrescente: o ganho de adicionar mil entrevistados é maior numa amostra pequena do que numa grande.
Valores aproximados para nível de confiança 95% com proporção esperada em torno de 50%. A fórmula exata é margem = 1,96 × √(p(1−p)/n) onde p é a proporção esperada (usa-se 0,5 como pior caso) e n é o tamanho da amostra.
Empate técnico: o que isso significa
Empate técnico não é empate literal. É a situação em que dois candidatos têm números diferentes mas seus intervalos de confiança se sobrepõem. Estatisticamente, qualquer um dos dois pode estar à frente — a pesquisa não consegue distinguir.
No 2º turno presidencial 2026, por exemplo, Flávio Bolsonaro aparece com 45% e Lula com 43,7% — diferença de 1,3pp. Com margem típica de ±3pp em ambos os candidatos, os intervalos vão de 42–48 para Flávio e 40,7–46,7 para Lula. A faixa de sobreposição é gigantesca (42–46,7). Isso é empate técnico clássico.
Detalhe importante: não confundir empate técnico com empate real. Manchetes que dizem "empate em 45×43,7" estão erradas. O correto é "dentro da margem de erro" ou "estatisticamente empatados".
Para análise detalhada de empate técnico, veja empate técnico em pesquisa eleitoral.
Erros comuns ao ler margem de erro
- Tratar a margem como margem "extra" de cada candidato. A margem é do número, não do candidato. Cada candidato tem o seu próprio intervalo. Não é "Lula 39 ± 3 e Flávio 36 ± 3, então a diferença é 3 ± 6".
- Ignorar o nível de confiança. Quase todas as pesquisas brasileiras usam 95% como padrão. Em raros casos com 90% (margem menor publicada), o intervalo fica mais estreito mas a probabilidade de erro é maior.
- Achar que pesquisa errou se o número real ficou fora da margem. Mesmo pesquisa bem-feita erra 5% das vezes (intervalo 95%). Não é defeito do método, é parte da definição.
- Comparar pesquisas com margens diferentes sem ajuste.Pesquisa A com ±2pp e pesquisa B com ±4pp não são equivalentes — A é "mais precisa". Por isso o ElectioLab pondera pelo tamanho da amostra.
Perguntas frequentes
O que significa margem de erro de ±3pp em uma pesquisa eleitoral?▾
Por que a margem de erro é maior em pesquisas com amostra menor?▾
O que é nível de confiança de 95% em pesquisa eleitoral?▾
Margem de erro é a mesma coisa que intervalo de confiança?▾
Como o ElectioLab usa a margem de erro?▾
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